Crítica La edad de la Ciruela – Michel Fernandes

Las Chicas de Blanco, coletivo teatral argentino formado pelas atrizes Sandra Posadino e Claudia Quiroga, trouxeram à VII Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo um poético mergulho no reino da afetividade, na contramão de grande parte dos projetos militantes e/ ou políticos de outros grupos. Essa é a força de “La Edad de La Ciruela”, texto de Aristides Vargas, dirigido e adaptado pelas atrizes, apresentado na tarde de ontem na sala três da Oficina Cultural Oswald de Andrade, penúltimo dia da VII Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, a entrega à sensibilidade, um destemor de evocar lembranças familiares sem que exista nesse pequeno microcosmos muito a se dizer para o macrocosmos social.
La Edad de La Ciruela” conta a história de duas irmãs que não se veem há muito tempo e, com a morte iminente da mãe, as duas se reencontram na casa em que moravam quando crianças. A mais jovem das irmãs, em determinado momento, diz que tem sonhado muito com as mulheres que viveram ali, na casa em que cresceram, cuja unidade do desejo entre as mulheres daquele lar era ganhar o mundo para encontrar a felicidade.

Evocam, então, reminiscências de seus passados tendo, como suporte metafórico, a morte de uma rata que batizam de Ciruela. E é no funeral de Ciruela que elas celebram o pacto de sua eterna idade atual, ou seja, assegura-se que serão eternamente crianças (e quem não se agrada em imaginar viver eternamente num tempo em que ainda cremos na possibilidade de ser possível a felicidade ilimitada?). Característica desejada e obtida pe’ Las Chicas de Blanco é o uso das opções por um refinado humor ao tratar de temas densos e com grande perigo de cair num tom

O trabalho das intérpretes tem a mesma concisão da cenografia (duas cadeiras e um giz vermelho com que as atrizes escrevem e delimitam espaços no chão), vestuário (assinado por Antonia Tempone) e desenho de luz, de Carlos Ianni, que atua, também, como suporte a delimitar o espaço cênico, o que é bastante comum em espetáculos de dança. A trilha sonora de Paula Liffschitz é um adendo essencial ao efeito sensível e de extrema qualidade mostrado por Las Chicas de Blanco.

2012-04-29 · Michel Fernandes · Latinoamericano